O pecado da Carne Fraca: excelência operacional depende do ser humano

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Tempo de leitura: 4 minutos

Já falamos muitas vezes aqui no Excelência em Pauta que nenhuma ferramenta é capaz de melhorar os processos de uma empresa se não houver comprometimento das pessoas com a mudança de cultura organizacional. Nos últimos dias, a operação Carne Fraca demonstrou isso na prática. Não vamos nos ater aos equívocos que estão levando ao enfraquecimento de um setor importantíssimo do agronegócio nacional. No entanto, sob o paradigma da excelência operacional, há muita coisa a ser observada sobre esse escândalo empresarial.

Antes de mais nada, é preciso olhar de forma aberta, sincera e madura para seus processos, gestão, serviços. Em todos eles vão inevitavelmente estar expressos os valores de sua empresa. Resistir à mudança é afundar-se em um poço de práticas ultrapassadas e muitas vezes antiéticas, como vimos na Carne Fraca. As empresas envolvidas são negócios gigantes que, com certeza, têm acesso às mais modernas ferramentas de gestão. Sem dúvida, utilizam sistemas de controle de qualidade. Como essa balbúrdia pôde então acontecer?

A Gestão da Qualidade e seus conceitos (quase centenários) são um driver vital, mas sem o ser humano… não rola! O sucesso de controles e verificações depende de uma mudança de postura, de olhar. É preciso engajamento na busca pelo melhor resultado – isso passa por atender a normas legais e oferecer melhores produtos. É necessário criar um novo mindset, que fuja do jeitinho e assuma a excelência como valor.

Optar por essa postura não é moda ou diletantismo. Comprometimento, firmeza, propósito, disciplina, responsabilidade, consciência: atitudes como estas têm resultado inconteste. Dão trabalho, mas evitam desastres como o que estamos presenciando na Carne Fraca e alavancam muito mais rapidamente qualquer empresa. Trazem melhores resultados, agradam a sociedade, geram orgulho nos funcionários e melhoram o mundo em que vivemos.

Como a excelência operacional poderia ter evitado a Carne Fraca

Ainda que pudéssemos atribuir os pecados da Carne Fraca ao gigantismo desses players do agronegócio, alguns sistemas simples poderiam ter sido utilizados para evitar situações como esta. Com visão estatística dos processos, sabemos que a probabilidade desse tipo de coisa ocorrer em um grupo com mais de 50 mil pessoas envolvidas é muito grande. Mesmo para monitoramento da questão ética há vários caminhos possíveis a partir de controles que integrem a cultura da empresa.

  • Cronograma: a investigação já tinha dois anos, por que ninguém fez nada? Foi esse o melhor desfecho? Gerir as ações no tempo, a partir de sua irrupção, é fundamental para atingir bons resultados. Deixar para depois, procrastinar, são posturas ainda mais irresponsáveis em situações graves como essa.
  • Pareto: sabemos que 20% de fracasso pode afundar 80% de sucesso. O princípio de Pareto pode e deve ser aplicado na identificação e priorização dos problemas de uma empresa. Como estamos vendo, apesar da operação ter envolvido apenas algumas unidades, afetou a credibilidade do todo, ameaçando o agronegócio.
  • Ishikawa: o diagrama de causa e efeito é a melhor forma de descobrir as possíveis causas de uma dificuldade. Ferramenta simples, pode auxiliar qualquer reunião ou mesmo servir de base para uma investigação interna.
  • Gestão da informação: embora dados específicos eventualmente sejam difíceis de monitorar em grandes organizações, as ferramentas de business intelligence já nos permitem um acompanhamento acurado de muitas situações. Ao primeiro sinal de irregularidade, é possível investigar informações qualificadas.
  • Lean Six Sigma: um processo que atinge o nível Seis Sigma tem somente 0,00034% de taxa de erro. BRF e JBS nem precisavam de tanto para estarem melhor na foto, não é mesmo?

Insisto: olho na cultura para não virar carne frita!

Há um exemplo de excelência que me agrada muito: a preparação, em 1999, para o bug do milênio. As empresas fizeram a lição certa, não haveria segunda chance. Hoje é possível dizer que houve excesso de zelo, mas valeu: todos fizeram o que era possível ser feito. Uma preocupação robusta, transformada em ações, evitou que sistemas de transporte e saúde fossem prejudicados.

Hoje temos muito mais dados, mais sistemas, a lição já poderia ter sido aprendida. É preciso priorizar, saber distribuir, colocar as pessoas certas para executar. Se um funcionário é responsável por dez projetos, ele não será capaz de garantir a excelência de nenhum. A pequena economia no princípio vai gerar a grande despesa no final.

A excelência operacional define os processos-chave, simplifica ferramentas e ajuda a trazer uma mudança cultural. Não é só matemática, é uma mudança de mindset. Não vamos estabelecer nossas atitudes a partir do que o chefe mandou ou do que alguém falou que é melhor, e sim a partir da comprovação de melhores práticas, com histórico e referências de mercado.

Na tentativa de fazer o certo, se comete erros. Não se pode condenar o erro inconsciente, por ignorância ou inexperiência. No caso da operação Carne Fraca, foi ultrapassado esse limite, e o erro feriu a ética. Empresas que ignoram situações assim estão tapando o sol com a peneira, fadadas ao fracasso. Que possamos usar essa triste situação como aprendizado, para não repetir erros. Para isso, temos que partir para a prática. Você faz a sua parte?

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Edição: Svendla Chaves – jornalista

Imagens: CongerDesign e Aga/Pixabay

About Otávio Monsanto de Paula

Profissional de Excelência Operacional e Business Intelligence! Blog: Excelência em Pauta.com.br
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1 Comentário em "O pecado da Carne Fraca: excelência operacional depende do ser humano"

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