Saiba por que a cultura organizacional precisa estar adaptada à era digital, e o que você perde se não o fizer

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Costumo dizer que nenhum sistema, nenhuma ferramenta, nenhuma metodologia funcionam se as pessoas não estiverem preparadas para compreender, absorver e engajar-se com a solução proposta. Uma organização é feita de pessoas, e a excelência operacional depende delas. Capacitação e treinamento ajudam, mas não resolvem sozinhos. Cultura organizacional é a chave nesse caso, mais ainda quando falamos de alinhamento à era digital.

Com a transformação digital, muitas mudanças vêm ocorrendo em todos os setores. No agronegócio, a tecnologia mudou a forma como produzimos nossos alimentos e insumos. Nos serviços e no comércio, está permitindo que os negócios se aproximem ainda mais das necessidades dos clientes. Na indústria, a Internet das Coisas faz das plantas megassistemas conectados que permitem a automatização de quase todos os processos. Mas ainda são as pessoas que estão por trás de tudo isso. E nós, falhos humanos, não avançamos tão rápido quanto as máquinas.

A cultura organizacional é o que permite ou trava um processo de mudança ou adaptação. Se as pessoas não estiverem efetivamente engajadas, os sistemas se tornam subaproveitados ou mesmo inúteis. Se a inteligência artificial anda a mil por hora, ainda são nossos cérebros os responsáveis por compreender o imprevisível. Por isso, qualquer liderança precisa estar atenta à atualização tecnológica de seu negócio tanto quanto à cultura de suas equipes.

A vida se tornou curta para tantas oportunidades e, se você não estiver preparado, dezenas de concorrentes vão estar. O melhor atendimento perde pontos se a entrega levar semanas. Você vai ser menos inteligente se os dados de CRM não forem cruzados com financeiro, produção e ponto de venda. Sua equipe precisa saber disso. Precisa estar atenta a isso. Precisa querer fazer isso de forma diferente.

Colaboradores devem ser engajados na cultura organizacional
Cultura organizacional é chave para alcançar a excelência

Excelência é mais que eficiência

“Minha empresa comprou a melhor ferramenta de ERP do mercado, mas ainda não tivemos nenhum lucro com isso.”

“Gastamos um grande recurso para desenvolver um sistema próprio para nossa indústria, mas ele não parece funcionar.”

“Há dois anos investimos em CRM, e ainda não vemos resultados concretos na resposta do cliente.”

Esses são alguns exemplos de problemas que encontramos nos investimento em tecnologia. Quando investigamos mais a fundo por que cada solução parece não ter funcionado, em geral descobrimos alguma falha na cultura organizacional. Os funcionários estavam muito acostumados a trabalhar com o sistema antigo e não souberam se adaptar. A nova ferramenta não interage no mesmo padrão dos demais sistemas já adotados. A novidade foi implementada sem considerar a experiência do cliente, que deveria ser o foco de atenção. Em todos os casos, houve grande investimento tecnológico, mas pouca análise humana.

Embora a gente associe eficiência a excelência, de nada vale se a primeira não atuar em prol do negócio. Reduzir custos é o que todos queremos. No entanto, é preciso ter em mente que essa redução não pode afetar o lucro nem o futuro do negócio. É redundante e desgastado dizer que as empresas precisam se adaptar aos novos padrões de consumo e tecnologia. Mas todos os dias vemos negócios definhando porque não souberam se atualizar de acordo com as necessidades dos clientes. E mais: resistem a isso. Qualquer mudança precisa estar acompanhada de ajustes na cultura organizacional. Ou, melhor ainda: a capacidade de mudança deve fazer parte dessa cultura.

Seis bases da cultura organizacional na era digital

  • Toda empresa precisa de visão, missão e, principalmente, valores, e eles não podem estar só no papel. Cada decisão de cada profissional precisa estar amparada no que a empresa vê, quer e cultua. Quando vier a dúvida sobre como agir, são esses parâmetros que vão indicar o caminho a seguir e as ferramentas a adotar.
  • A excelência operacional está associada à eficiência, mas não pode prender-se a ela. Resultados sustentáveis dependem de visão de médio e longo prazos. É um dever investir em tecnologia, mas esse investimento deve estar sempre associado à cultura organizacional. E às mudanças necessárias, quando for o caso.
  • Engajamento é palavra-chave. Não adianta implantar um novo sistema se ele for usado somente nos primeiros meses e abandonado na primeira dificuldade. Ou se for utilizado de forma maquinal, sem o envolvimento da equipe para tirar dele os melhores resultados. Incentive os colaboradores a fazer parte do processo, a sugerir melhorias, a tomar decisões. Estimule o “senso de dono”.
  • Forneça a visão do todo, para todos. A cultura não está só na liderança – depende dela, mas também de cada integrante da organização. Todos precisam saber como atuar e principalmente por que fazem o que fazem e qual a relação disso com a satisfação do cliente e os resultados da empresa. Quando alguém não estiver na organização, seja gestor ou operador, todos seguirão sabendo como proceder.
  • Selecione e integre suas equipes. A gestão de pessoas fica mais fácil quando os profissionais estão de acordo com a cultura organizacional. Não use apenas critérios técnicos de seleção: questione crenças, valores e caráter. Estabeleça a premiação positiva a partir do ajuste de comportamentos. Faça com que os diferentes setores se comuniquem e partilhem sugestões e questionamentos sobre os processos coletivos.
  • Nada disso se faz sem liderança. A cultura organizacional é um processo que circula em todo o negócio, do topo para baixo, da ponta para o centro. Precisa estar em todos, mas os gestores são aqueles que vão poder verificar e incentivar seu funcionamento. Uma liderança fraca ou que não se comunica pode colocar a perder uma cultura positiva já instituída.

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Edição: Svendla Chaves – Jornalista

Imagens: Gerd Altmann/Pixabay

About Otávio Monsanto de Paula

Profissional de Excelência Operacional e Business Intelligence! Blog: Excelência em Pauta.com.br
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