Por que a logística ainda é o maior gargalo da produção?

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Tempo de leitura: 4 minutos

O Brasil não tem nada a orgulhar-se em sua infraestrutura logística. O problema, que já era apontado como dificuldade há uma década, voltou a se intensificar nos últimos anos. Segundo estudo da empresa Ilos, os custos logísticos atingiram 12,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015. Mais da metade desse total está centrado nas despesas com transporte.

Esse aumento dos custos – que em 2010 representaram 10,6% do PIB – está diretamente relacionado à redução de investimentos em infraestrutura. A média de investimentos, nas últimas duas décadas, foi de 2% do PIB, mas reduziu-se a 1,7% no ano passado. Entre as 20 principais economias mundiais, somos a que menos aplicou nessa área em 2016. O investimento ideal seria de 5,5%. Assim fica fácil entender por que gastamos tanto com logística.

Acompanhamos, no início de março, o drama de mais de 3 mil caminhões parados na BR-163, no Pará. A situação, motivada pelos atoleiros de lama, aponta a necessidade de condicionamento das estradas. No Pará, a Transamazônica tem apenas 15% de sua extensão asfaltada. Lembrando que ela é a principal via entre o Centro-Oeste e os portos da região Norte. Como afirmou o ex-ministro Roberto Rodrigues: é uma vergonha nacional!

Boas notícias são travadas por essa dificuldade logística. O agronegócio, que dá esperanças à economia brasileira em 2017, é um dos que mais sofre nesse quesito. O aumento da safra de grãos tem pela frente o gargalo da infraestrutura. Se a produção de milho e feijão realmente crescer em mais de 30%, mais estradas vão parar. A comemoração pelo aumento de 12,8% na safra da soja vira dor de cabeça quando os grãos entram no caminhão. De um lado, as commodities não cumprem os prazos para exportação via portos do Norte. De outro, demoram para chegar às granjas da região Sul.

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Por onde passa a dificuldade logística

Pesquisa da Fundação Dom Cabral aponta que, em 2015, o custo logístico abocanhou 11,73% das receitas das companhias. As que apresentam volume de vendas entre R$500 milhões e R$1 bilhão tiveram 30% de aumento nesse custo no ano. A região mais afetada é também a com pior infraestrutura: o Centro-Oeste. As despesas acabam sendo incorporadas no preço dos produtos, agravando a crise já existente.

As rodovias são o principal modal para 80% das empresas. Os transportes de matéria-prima e de produtos acabados, bem como a distribuição nos centros urbanos, são os que dão mais despesa no total investido. Os entrevistados pela Dom Cabral apontaram que os custos com burocracia, bem como com mão de obra especializada, foram os que tiveram mais elevação em 2015. A conjunção desses fatores mostra que o problema vem de diversas frentes – e a maior parte delas foge da gestão dos negócios.

Para driblar o aumento nos custos, a principal solução encontrada têm sido terceirizar os serviços de logística. Essa medida, no entanto, é paliativa e não sustentável no longo prazo. O que nos resta, ademais de exigir do poder público a qualificação da infraestrutura nacional? Investir em excelência operacional!

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Como a excelência operacional pode ajudar a logística?

  • Não há excelência sem processo. Assim, o primeiro passo para qualquer melhoria tem necessariamente de passar pela identificação dos processos. Nesse sentido, a metodologia Lean pode ser a melhor ferramenta para fazer redesenho e gestão dos custos de logística. Ela também tem como foco a otimização do tempo, especialmente importante nesse fator. No agronegócio, é fundamental que o ritmo de escoamento seja eficiente, para dar conta dos grandes volumes de perecíveis.
  • Medir, medir, medir! Estabeleça e acompanhe indicadores de desempenho, bem como os processo de armazenamento e expedição. Redesenhe e ajuste, quando for necessário.
  • Com business intelligence, é possível diminuir as despesas por meio de decisões estratégicas baseadas em dados. Ainda que essa ciência por vezes aponte soluções pouco usuais, como a otimização de rotas da empresa americana que evita que seus veículos virem à esquerda, as indicações sempre serão matematicamente assertivas. Os sistemas também permitem que sejam monitoradas as necessidades de mercado, incrementando resultados.
  • Fique de olho no Supply Chain! A cadeia de abastecimento está recheada de problemas de logística… mas também pode oferecer suas soluções. Apostar na colaboração com clientes e fornecedores é o melhor caminho para garantir resultados. Buscar parceiros que não sejam da concorrência direta para estabelecer sistemas logísticos também pode ser uma boa estratégia.
  • Tenha foco em sua transformação digital. Essa dica é especialmente importante para o agronegócio, que ainda tem um potencial enorme de melhorias pela frente. Como sempre digo, não adianta investir em ferramentas caras que depois serão inúteis. Diversas agritechs têm desenvolvido soluções especializadas, que podem ser certeiras para o seu negócio. Na logística, a rastreabilidade pode ser especialmente beneficiada com o avanço tecnológico.

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Edição: Svendla Chaves – jornalista

Imagens: Andreas e Gerhard Gellinger/Pixabay e reprodução/Ilos

About Otávio Monsanto de Paula

Profissional de Excelência Operacional e Business Intelligence! Blog: Excelência em Pauta.com.br
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