Blockchain: é hora de confiar?

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Tempo de leitura: 5 minutos

Está na moda falar em bitcoins, criptomoedas e blockchain. A acelerada valorização das moedas digitais tem colocado em questão, no entanto, se elas são uma promessa ou uma bolha. Na onda de desconfiança, o recurso de blockchain também é questionado por fatores de segurança de dados. O fato é que, seja com cautela, seja com fé, essas tecnologias não podem ser ignoradas.

Há quase dois anos já destacávamos aqui no Excelência em Pauta a importância do bitcoin para as empresas. Com a popularização das transações digitais, pessoas e organizações estão atentas a esses recursos. Mesmo com alta volatilidade e proibida em alguns países, a moeda alcançou valorização de aproximadamente 1.500% em 2017. É hoje a criptomoeda mais popular em todo o planeta.

O blockchain, criado para dar suporte ao bitcoin, já ganhou independência como tecnologia capaz de dar mais confiabilidade a transações. Seu avanço em diversos setores demonstra que que a utilização vai muito além da gestão de moedas digitais. Assim, mesmo os mais conservadores, que desconfiam das criptomoedas, precisam dar atenção a essa nova tecnologia. Em diversos setores, ela será cada vez mais associada à excelência operacional.

Para entender o blockchain

Para começar, alguns conceitos são fundamentais para entender este tema.

Criptomoedas – moedas virtuais que utilizam criptografia, ou seja, códigos específicos emissor-receptor. Diferentemente das moedas comuns, não são emitidas por uma instituição, sendo uma representação de valor. Foram desenvolvidas para dar segurança às transações financeiras na internet. Seu registro em geral é feito por meio de um índice global, o blockchain. Já existe até uma criptomoeda da Internet das Coisas, o IOTA.

Bitcoin – criado em 2008, é a mais popular das moedas digitais. Elaborado para funcionar à margem do sistema financeiro convencional, o bitcoin é usado em transações internacionais. Tem sido questionado em alguns países, como Rússia e China, que estudam a criação de suas próprias criptomoedas ou de regulamentações locais capazes de contornar a impossibilidade de controle estatal sobre as transações.

Peer-to-peer (P2P) – rede de computadores que compartilham arquivos na internet. Cada computador é cliente e também servidor, já que não existe nesse caso um “servidor geral”. O bitcoin e outras criptomoedas foram criadas a partir desse modelo de rede, que torna a gestão do sistema descentralizada. Cada usuário é um nó da rede e serve como balizador das informações geradas.

Blockchain – inicialmente vinculado como tecnologia de suporte do bitcoin, adquiriu vida própria por seu modo de funcionamento. O blockchain é uma tecnologia para registro de dados baseada em rede peer-to-peer. É como uma grande planilha compartilhada por diferentes usuários, que possuem cópias do arquivo com registros de cada transação. Cada vez que uma ação acontece (seja transferência de bitcoins, alterações em um contrato ou um voto em plebiscito), usuários da rede dão sua validação e o banco de dados se atualiza. As informações não podem ser apagadas, somente acrescentadas. Assim, há o registro de todo o histórico de cada transação. Como as informações são criptografadas, não podem ser rastreadas.

Blockchain: a verdadeira revolução

Em relatório divulgado em janeiro de 2017, a McKinsey aponta que o impacto do blockchain pode chegar a 110 bilhões de dólares até 2021. A tecnologia deve chegar a sua maturidade em 2025, sendo utilizada nas mais diferentes aplicações. Ela vem sendo estudada para associação também com Big Data e inteligência artificial.

Seu desenvolvimento, no entanto, ainda esbarra na falta de profissionais qualificados para trabalhar a ferramenta, especialmente no Brasil. A necessidade de grandes recursos computacionais e a possibilidade de regulamentações locais são alguns dos pontos que também podem dificultar seu amplo crescimento. Por outro lado, a total desregulamentação também se apresenta como um risco.

Don Tapscott, autor do livro Blockchain Revolution, destaca que o sistema, que surgiu como tecnologia subjacente ao bitcoin, é “a maior inovação em ciência da computação”. Como uma base de dados distribuída, a credibilidade é garantida por meio de colaboração em massa e código inteligente. Superando as instituições tradicionais, já que são sistemas sem permissão, em que transações individuais são balizadas pelo grupo.

O sistema financeiro sem dúvidas é o mais impactado pelo blockchain, positiva e negativamente. Pensando nisso, as empresas do setor já buscam oportunidades para adaptarem-se às mudanças tecnológicas. Estima-se que 65% dos bancos querem desenvolver soluções de blockchain já nos próximos três anos. No quadro abaixo, o estudo da McKinsey aponta sete usos críticos do blockchain nos serviços financeiros (fonte: McKinsey analysis).

Impacto do blockchain no setor financeiro (fonte: McKinsey)

Qual a utilidade do blockchain para as organizações

Mesmo fora do setor financeiro, as possibilidades de utilização do blockchain são bastante diversificadas. Vão desde prontuários médicos a registros de casamento, passando, obviamente, por todo tipo de contratos inteligentes. Veja exemplos de uso em diferentes setores.

Indústria: com a tecnologia, pode ser conectada toda a cadeia de suprimentos, dando credibilidade a contratos e fornecimento de produtos. Itens com defeito podem ter sua fonte identificada; o sistema de logística pode ser acompanhado de forma ágil. Maior facilidade para transações internacionais.

Agronegócio: rastreamento de origem e certificações de qualidade de produtos agropecuários. Eliminação de fraudes e transparência na cadeia do agronegócio (lembram do Carne Fraca?).

Saúde: prontuários eletrônicos, com registro universal das informações médicas de cada paciente. Rastreabilidade de receitas, criando comunicação entre médicos e comércio. Troca de informações entre clínicas e hospitais.

Comércio: facilidade e confiabilidade de pagamento, especialmente no comércio on-line. Empresas de diferentes setores podem atuar em consórcio para identificar perfis de consumidores.

Fintechs: menor custo de transações, maior segurança on-line. Simplificação de crédito e maior acesso a serviços financeiros.

Contratos: diversas operações podem ser totalmente automatizadas, agilizando a solução de conflitos e reduzindo os custos administrativos e judiciais.

Setor público: redução de fraudes em contratos, votações de caráter público via internet.

Como funciona exatamente o blockchain?

Este quadro elaborado pela PwC ajuda a entender o sistema.

Como funciona o blockchain (fonte: PwC)

 

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Edição: Svendla Chaves – jornalista

Imagens: Gerd Altmann e reproduções McKinsey e PwC

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About Otávio Monsanto de Paula

Profissional de Excelência Operacional e Business Intelligence! Blog: Excelência em Pauta.com.br
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